Com informações do Diário da Manhã - 25 de abril de 1981
Em uma das mais belas páginas da história do futebol nacional, a Associação Atlética Anapolina, carinhosamente conhecida como "Xata", escreveu em 1981 um capítulo que até hoje inspira clubes do interior do Brasil. Conforme amplamente noticiado pelo Diário da Manhã em sua edição de 25 de abril de 1981, o modesto time do município de Anápolis alcançou o vice-campeonato da Taça de Prata - equivalente à atual Série B do Campeonato Brasileiro - em uma campanha que misturou determinação, talento e superação.
Elenco da Associação Atlética Anapolina, vice-campeã da Taça de Prata de 1981, que representou o estado de Goiás na final nacional.
Fonte: DIÁRIO DA MANHÃ, Goiânia, 25 abril de 1981.
A jornada rubra na Taça de Prata foi marcante desde as primeiras fases. Classificando-se em segundo lugar em seu grupo, a equipe enfrentou e eliminou o tradicional Remo nas semifinais em uma série eletrizante: 3x2 em Belém, diante de mais de 50 mil torcedores no Estádio Evandro Almeida, e 4x3 na volta, no Estádio Jonas Duarte, lotado por uma torcida em delírio.
Na decisão, conforme detalhado pelo Diário da Manhã, o adversário era o poderoso Guarani de Campinas, time da elite nacional que contava em seu elenco com Careca e Jorge Mendonça, dois dos maiores atacantes do futebol brasileiro na época. Mesmo com a derrota por 4x2 no Jonas Duarte e o empate em 1x1 no Brinco de Ouro, a Anapolina conquistara algo maior que um simples vice-campeonato: ganhara o respeito do país.
O elenco Rubro
Fonte: DIÁRIO DA MANHÃ, Goiânia, 24 abril de 1981.
Nos bastidores, conforme revelado pelo Diário da Manhã, uma revolucionária "junta governativa" - liderada pelo visionário médico Dr. Pedro Canedo e com participação de Fued Bittar, Edmilson Torquato, Júnior Abdalla, Osmar Pinheiro e William Ghannan - provava que era possível administrar um clube de forma profissional mesmo longe dos grandes centros. O comando técnico de Marcius Fleury e a dedicação de jogadores como Paulo Sérgio, Ney e Rodrigues - destacados pelo jornal como "os três grandes jogadores muito ao gosto da torcida rubra" - completavam o cenário de uma equipe que unia competência administrativa com qualidade em campo.
OLHANDO PARA O FUTURO
Impulsionada pelo sucesso nacional, a Anapolina não se acomodou. Conforme anunciava orgulhosamente o Diário da Manhã, a diretoria Rubra deixava claro seu próximo objetivo: "o objetivo principal do clube, este ano, é vencer o campeonato [Goiano]". A equipe não queria ser mais um "mero participante", mas sim um forte candidato ao título estadual.
Quatro décadas depois, a campanha da Anapolina na Taça de Prata de 1981 continua viva na memória do futebol brasileiro. Mais do que um resultado esportivo, a trajetória rubra, tão bem documentada pelas páginas do Diário da Manhã, representa a força do futebol do interior, a capacidade de superação e a prova de que, com trabalho sério e paixão, qualquer clube pode fazer história.
A "Xata" não chegou ao topo da Série B, mas conquistou algo mais duradouro: tornou-se símbolo de inspiração para todas as equipes que ousam sonhar grande, independentemente de seu tamanho ou origem. Uma lição que permanece atual e necessária no futebol brasileiro - e que naquele ano de 1981 se traduziu na corajosa ambição de ser campeã goiana, mostrando que o sucesso nacional só alimentava a fome por mais conquistas.