ORGULHO DA NOSSA HISTÓRIA
INTRODUÇÃO HISTÓRICA
A reconstituição dos primórdios do futebol anapolino e a linha de tempo que liga o Bahia Sport Club à Associação Atlética Anapolina baseiam-se nas minuciosas pesquisas e crônicas deixadas por Ademar Santillo — ex-prefeito, líder político e um dos mais dedicados intelectuais de Anápolis —, cruzadas estritamente com a cobertura jornalística original de João Asmar nos diários da época.
Os Primórdios e a Linhagem Sagrada (1921 — 1931)
O Bahia Sport Club e a Praça do Bom Jesus
A história do futebol mais tradicional de Anápolis lança suas raízes na década de 1920. Conforme os resgates históricos de Ademar Santillo, entre o final de 1921 e o início de 1922, nascia o pioneiro Bahia Sport Club.
O nome do clube era uma homenagem direta e carinhosa ao Dr. Faustino Plácido do Nascimento, um médico baiano radicado na cidade e torcedor ferrenho do Bahia. Visionário, Dr. Faustino foi o grande benfeitor do futebol local ao doar de forma benemérita o terreno na Praça do Bom Jesus para a construção daquele que seria o primeiríssimo campo de futebol de Anápolis. Ali, na terra batida, o sonho começava a ganhar forma.
A Fusão de 1931: Nasce o Annapolis Sport Club
O futebol crescia e exigia maior organização. Em janeiro de 1931, para criar uma agremiação ainda mais forte e competitiva, o Bahia Sport Club uniu forças com outra equipe local, o Cruzeiro do Sul. Dessa fusão histórica brotou o Annapolis Sport Club (grafado na época com "nn" e "S").
O homem responsável por capitanear a transição e organizar a nova equipe como presidente interino foi Manoel Gonçalves Cruz. Sob sua tutela, os preparativos foram intensos para a grande estreia nos gramados.
A Estreia Triunfal e a Diretoria Definitiva
O dia 7 de fevereiro de 1931 ficou marcado para sempre na cronologia do clube. O Annapolis Sport Club pisou no gramado para a primeira partida de sua história e já mostrou a que veio: enfrentou a temida União Goyana, da Cidade de Goiás (então capital do Estado), e conquistou uma vitória maiúscula pelo placar de 2 a 1.
Quatro dias após o triunfo na estreia, em 11 de fevereiro de 1931, o clube oficializou sua estrutura jurídica e elegeu sua primeira diretoria definitiva, consolidando o renomado médico Dr. Genserico Gonzaga Jayme como o primeiro presidente oficial da instituição.
O Campo do Jundiahy
Com o crescimento da torcida, o clube precisava de uma casa própria à altura. O Annapolis SC passou a mandar seus jogos no Campo do Jundiahy, construído em um terreno que pertencia ao sítio conhecido como "João D’ai". A propriedade foi adquirida pela expressiva quantia de 400.000 mil réis (400$000).
Localizado próximo às atuais Ruas Dr. Faustino e Joaquim Propício de Pina, no Bairro Jundiaí, o estádio tinha uma peculiaridade: era inteiramente cercado por um imponente muro de taipa. Essa barreira de barro amassado e madeira tinha a vital função comercial de fechar o espaço para que o clube pudesse cobrar ingressos de forma organizada.
Crise e o Semiprofissionalismo
A vida financeira do Annapolis Sport Club nunca foi fácil. O clube vivia no limite, enfrentando crises severas que o obrigavam a pedir licença das competições, paralisar as atividades e até ver seu campo ir a leilão. Para sobrevivir, adotou um regime de semiprofissionalismo pioneiro na região.
O clube trazia jogadores de fora do estado e, em vez de salários astronômicos, pagava os atletas com pensão, comida e roupa lavada. No início da década de 1940, essa estratégia montou um time lendário e temido, onde apenas os jogadores Arnaldo, Raul e Zeca eram nativos de Anápolis. O auge técnico desse modelo veio em 1944, mas o peso financeiro sufocou o clube, que se viu obrigado a liberar o passe dos atletas por não conseguir mais arcar com os custos de manutenção.
1943: O Ano Perfeito do "Pantera Goiano"
Se fora de campo as contas não fechavam, dentro dele o Annapolis Sport Club — já conhecido popularmente pelo apelido de Anápolis Esporte Clube ou Pantera Goiano — viveu em 1943 o ano mais glorioso de uma equipe de futebol no estado. Aproveitando o afastamento temporário da União Esportiva Operária, o Pantera simplesmente esmagou todos os adversários que cruzaram seu caminho.
O retrospecto de 1943 foi impecável, com uma impressionante sequência de vitórias contra potências locais e mineiras resgatada pelas crônicas da cidade:
Independente de Uberaba (MG) 3 x 2 Annapolis SC
Goiânia (GO) 1 x 2 Anápolis SC
Atlético Goianiense (GO) 1 x 2 Annapolis SC
Goianaz (GO) 0 x 4 Annapolis SC
Uberlândia (MG) 0 x 2 Annapolis SC
Operário de Araguari (MG) 0 x 1 Annapolis SC
Goiás (GO) 2 x 7 Annapolis SC (Goleada Histórica na Capital!)
Anhanguera de Ipameri (GO) 0 x 3 Annapolis SC
Sal Tropeiro de Uberlândia (MG) 2 x 3 Annapolis SC
Fluminense de Araguari (MG) 1 x 4 Annapolis SC
Atlético Goianiense (GO) 1 x 4 Annapolis SC
A.A. Pirenopolina (GO) 0 x 3 Annapolis SC
Para coroar o ano inigualável, o Pantera Goiano fez uma excursão invicta pelo Triângulo Mineiro e, ao retornar para Goiás, aplicou sonoras goleadas em todas as equipes da capital, Goiânia. O brilho era tanto que, no fim de 1945, os craques de fora precisaram voltar aos seus estados natais para disputar o Campeonato Brasileiro de Seleções, forçando o clube a reativar sua força prata da casa
Em 1º de maio de 1946, um movimento liderado por Geraldo Rodrigues de Siqueira fez ressurgir a União Esportiva Operária. O retorno do rival acendeu a faísca da rivalidade na cidade, mas a resposta do Annapolis SC veio de forma avassaladora dentro das quatro linhas. No dia 17 de abril de 1947, em amistoso histórico, o Annapolis Sport Club aplicou uma goleada humilhante de 10 x 2 sobre a União Operária, garantindo o seu lugar na elite do futebol do Estado.
Porem, longe dos gramados, a saúde financeira do clube sufocava a sua diretoria. No final de 1947, as dívidas acumuladas tornaram-se uma montanha insolúvel. Foi nesse momento que a imprensa local, através da crônica marcante de João Asmar, começou a estampar nos jornais a manchete: "Surgirá Um Novo Clube?".
O Annapolis Sport Club Decadente e a Intransigência Diretiva
O jornal denunciava abertamente o estado decadente e a "situação miserável" em que o veterano Annapolis Sport Club se encontrava devido ao desinteresse coletivo e a disputas internas. O então presidente, José Maria do Nascimento Júnior, que havia injetado muito dinheiro do próprio bolso para conter as dívidas, mantinha-se irredutível de posse dos livros e estatutos do clube.
O autoritarismo e o "mandonismo" na cúpula acabaram afastando os verdadeiros desportistas e os torcedores. Diante desse cenário insustentável, a grande massa de entusiastas entendeu que o clube precisava de uma renovação profunda.
A situação atingiu seu clímax definitivo quando figuras ilustres e pilares do time, como os irmãos Puglisi (Júlio, Laudo e Zeca Puglisi) e o craque Raul, cansados de se curvarem aos caprichos da antiga gestão, decidiram romper definitivamente com a diretoria do Annapolis Sport Club., optando pelo afastamento e pela criação de uma nova agremiação.